História de goiana

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Heroínas de Tejucupapo

O povoamento de Goiana é anterior a 1570. O território onde se encontra o município foi inicialmente habitado pelos índios caetés e potiguares. Provavelmente, no ano de 1539 é concedida a primeira sesmaria (pedaço de terra devoluta ou cuja cultura fora abandonada, que os reis de Portugal entregavam a sesmeiros para que cultivassem), por D. Isabel de Gamboa, a João Dourado. As terras que ficavam localizadas ao norte do Rio Capibaribe-Mirim foram doadas para o início da monocultura da cana-de-açúcar em Goiana.

Em 1555 era criada a freguesia de São Lourenço de Tejucupapo, onde foi erguida a Igreja de São Lourenço. Já em 07 de dezembro de 1569 é concedida, por D. Jerônima de Albuquerque e Sousa, Governadora de Itamaracá, a André Velasques, uma sesmaria com duas mil braças (antiga medida de extensão correspondente a 2,20m) de terra, onde foi fundado o Engenho Itapirema, movido a água, pertencente à freguesia de São Lourenço.
Em carta de doação de 20 de maio de 1570, D. Jerônima de Albuquerque e Sousa concedeu uma sesmaria com cinco mil braças de terra ao português Diogo Dias e seus filhos Maria, Catarina e Boaventura Dias. Na carta, ela fazia saber que tinha em Capibaribe-Mirim, “donde ele suplicante achar melhor, sendo que caso hajam águas na dita terra para engenho, pagarão, fazendo engenho, de pensão à senhora da terra a razão de 2% de todo o açúcar em pó que se fizer no engenho ou engenhos de água”.

Em outra carta de sesmaria, requerida por Boaventura Dias, quando já falecido seu pai Diogo Dias, à mesma D. Jerônima de Albuquerque, datada de 17 de março de 1577, tem-se notícia de que “Diogo Dias se passara de Pernambuco, onde morava com mais de 600 pessoas da terra, machos e fêmeas, plantando canaviais para o seu engenho e gastando sua fazenda em fazer fortalezas em defesa da Capitania, contra o gentio potiguar, de quem era fronteiro, pagando soldo, gastando muito em artilharia, pólvora e munições necessárias contra os selvagens.”

Assim, Diogo Dias é considerado um dos primeiros e principais colonizadores de Goiana. Conta Celso Mariz (Apanhados Históricos da Paraíba) que “em 1574 os potiguares da Paraíba, chamados pelos de Tracunhaém, daqui marcharam por mar numa frota de pirogas e em vultosa coluna por terra, para atacar o engenho de Diogo Dias. Este prendera duas virgens indígenas, provocando sobre o interesse da defesa territorial e a cobiça do saque, o ódio do sangue ludibriado. O combate foi tremendo, cabendo aos assaltantes a triste vitória, coroada pelo incêndio das casas e canaviais e pelo massacre de 600 pessoas da família e agregados.”

Em 1646 Goiana escreveu uma página áurea da história pernambucana, no combate travado nas trincheiras de Tejucupapo, quando os goianenses, comandados por Agostinho Nunes, expulsaram os holandeses, desbaratando completamente as tropas flamengas chefiadas pelo Almirante Lichtart, superiores em armas e homens. Nesse feroz combate foi heróica a resistência da mulher goianense, cujo feito ficou gravado na história pátria como um dos mais brilhantes e conhecido por A Batalha das Heroínas de Tejucupapo.

Na célebre Guerra dos Mascates, luta comercial entre os habitantes de Olinda, chamados os nobres, e os do Recife, os mascates, a 23 de julho de 1711, houve em Goiana um encontro das duas facções, triunfando os nobres, que tiveram à sua frente os tenentes Gil Ribeiro, Felipe Bandeira e o capitão Antonio Ribeiro.

Com a decadência da Vila de Conceição várias povoações foram reunidas no território de Goiana, que teve a preeminência de Vila. Por força de Carta Régia de 15 de janeiro de 1685, El-Rei transferiu a Justiça e a Câmara de Itamaracá para Goiana, porque a Ilha ficava muito distante das demais povoações, “tendo os interessados e litigantes de passarem no inverno a nado por sete rios”. No entanto, somente a 6 de outubro de 1742 é que Goiana teve Justiça independente da de Itamaracá.

A época de 1817 a 1870 está pontilhada de memoráveis acontecimentos para Goiana. Nesse período se desenrolaram sangrentos movimentos, resistência armada em defesa de um direito expressamente conferido, na afirmativa do Conselheiro João Alfredo. A Revolução de 1817, segundo Raposo de Almeida, foi concebida e planejada em Goiana pelo Dr. Arruda Câmara. Fracassada a revolução, as mãos decepadas do herói e mártir Padre Souza Tenório foram expostas acintosamente numa praça pública de Goiana, para intimidar a população.

O levante de Goiana em 1821, contra o governo de Luiz do Rego, é um fato culminante da história pernambucana e graças a ele fundou-se na cidade a Primeira Junta Constitucional que houve no Brasil. Esse levante representa a justa exigência, feita de armas nas mãos, da conquista liberal dos deputados pernambucanos obtida na Corte. O governador Luiz do Rego burlava as resoluções de Lisboa, uma delas que determinava “fossem havidos como legítimos todos os governos estabelecidos ou que se estabelecessem nos Estados portugueses de ultramar e ilhas adjacentes”. E criou um Conselho de militares e amigos do palácio… Daí, o movimento de rebeldia dos goianenses, que passou à história como a chamada Revolução de Goiana.

“O povo de Goiana, narra João Alfredo, herdeiro dos heróis de Tejucupapo, formou o Governo Constitucional temporário de Pernambuco, e porque Luiz do Rego preparou-se para castigar os rebeldes, o exército de Goiana foi atacá-lo no Recife, obrigando-o a assinar a Convenção de Beberibe”.

Segundo os historiadores, antes do Grito do Ipiranga, Goiana já havia de fato proclamado a nossa independência política.
Em 1824 ecoou em Goiana o brado liberal de Manoel de Carvalho Paes de Andrade, conhecido como Confederação do Equador. Vencidos os federalistas no Recife sob o comando de Lima e Silva, o destemido Frei Caneca fugiu para Goiana, onde havia morado no Convento do Carmo.

Prefeitura de Goiana

Prefeitura de Goiana

O motim de 1848, a conhecida Revolução Praieira, tão discutida pelos historiadores, teve como chefe o Desembargador Joaquim Nunes Machado, filho ilustre de Goiana. Fracassado o movimento e derrotados os rebeldes com a morte do seu chefe na Rua da Soledade (Recife) sacrificado na luta pelos seus ideais, foi Goiana tomada pelos governistas no dia 11 de fevereiro de 1849, sob o comando de Pedro Ivo. Houve combate, pois os praieiros haviam se apoderado de 200 carabinas e 20.000 cartuchos do adversário. No Engenho Pau Amarelo, do liberal Manoel Paulino, houve também resistência.  Essa revolução fechou o ciclo de nossas lutas nativistas.

Vieram então os movimentos de libertação dos escravos e propaganda republicana, nos quais Goiana tomou parte ativa e importante.
Basílio Machado, humilde sapateiro, roubava escravos dos engenhos para entregá-los a José Pires Vergueiro, que os escondia em sua olaria. Em 1884, um ano depois da luta iniciada pela Confederação Abolicionista, os goianenses se reuniram em sessão memorável na sede da sociedade Terspsichore, sob a presidência de Irineu Machado, para solenemente declarar que na cidade de Goiana não existiam mais escravos.

De todos esses movimentos o que mais empolgou o povo goianense foi o republicano. Em Goiana tramava-se abertamente pela implantação do novo regime, com o maior entusiasmo e com o apoio da Maçonaria, da qual faziam parte as figuras mais destacadas da cidade. Tanto assim que o grande tribuno Silva Jardim, o inolvidável preparador da República, logo ao chegar no Recife, veio visitar Goiana, recebendo por parte do povo estrondosa manifestação. A campanha republicana era chefiada por Metódio Maranhão, Amaro Rabêlo Filho, Antonio Gomes de Albuquerque, Pereira de Lira, José Lobo, Manoel Evaristo, Caetano Leobaldo, Angelo Jordão de Vasconcelos, Miguel Tavares da Rocha, Francisco Rafael, Manoel Aurélio Tavares de Gouveia e outros.

Foi, incontestavelmente, o município de Goiana que mais lutou pelo advento da República, na praça pública e na imprensa. E ao ser proclamada a República a cidade ficou em festa, havendo sessão solene na Câmara Municipal.

Goiana teve, assim, participação ostensiva e direta em todos os movimentos democráticos do Brasil, inclusive na Revolução de 1930, pegando em armas desde a expulsão dos holandeses, em defesa de nossa nacionalidade.

Goiana rivalizava-se com a capital. Depois do Recife era a cidade mais importante de Pernambuco, pelo seu desenvolvimento, progresso e, sobretudo, pelo seu nível cultural, com jornal diário, sociedades culturais e artísticas e duas bandas de música (Curica e Saboeira), hoje sesquicentenárias e cujos arquivos musicais eram os mesmos das grandes cidades da Europa, conforme constatou o notável musicista Curt Lange. As companhias teatrais que vinham ao Recife faziam temporadas em Goiana. D. Pedro II, chegando ao Recife, também veio logo visitar Goiana.

Em 1899 a cidade contava com o seu Monte Socorro, sociedade beneficente e de previdência social, para auxiliar as famílias em caso de morte. O Hospital da Santa Casa de Misericórdia já funcionava em 1739. A Loja Maçônica foi fundada em 1874, possuindo na época a maior biblioteca do interior do Estado. Pedro II encontrou em Goiana bons professores, sobretudo de latim.

Goiana era no fim do século 19 um grande centro agrícola, comercial e industrial. Tinha 47 engenhos safrejando (no Engenho Novo de S. Antonio, morava o general André Vidal de Negreiros), usina de açúcar e fábrica de tecidos. A cidade possuía oito templos católicos, inclusive dois Conventos e um Cruzeiro imponente, todo de pedra lavrada, com várias inscrições e datado de 1717. Dizem ser no gênero a mais notável obra de arquitetura sacra existente na América do Sul.

O comércio era enorme naquela época. Não existindo ainda estrada de ferro, todos os municípios vizinhos vinham se abastecer em Goiana, que tinha o privilégio de um porto fluvial, cujo ancoradouro vivia sempre cheio de barcaças de toda parte, trazendo e levando mercadorias. Daí, o extraordinário movimento comercial da cidade, contando a Rua do Meio com 26 lojas de fazendas, comprando alguns comerciantes diretamente da Europa. Os armazéns, lojas e casas comerciais funcionavam até tarde para atender a freguesia que vinha de grande parte do interior de Pernambuco e Paraíba.

Com o correr do tempo, essa situação modificou-se. Surgiu a rede ferroviária do Nordeste cortando vários municípios e Estados e os caminhões facilitaram o transporte de mercadorias para toda parte. Assim, Goiana começa a enfrentar problemas e inicia um período de declínio em meados do século passado, perdendo a hegemonia que detinha no cenário estadual e nordestino.

Agora, no limiar do século 21, Goiana vivencia um grande boom econômico, com a chegada de fortes investimentos públicos e privados, a exemplo da implantação do polo automotivo, com a chegada da fábrica da Fiat e seus fornecedores, e o polo vidreiro com a Companhia Brasileira de Vidros Planos – CBVP. O polo farmacoquímico, tendo como âncora a Hemobras e diversas indústrias se instalando, também se consolida. Juntos, os setores gerarão milhares de empregos.

Também a indústria da construção civil ganha incremento na cidade que recebe grandes empreendimentos imobiliários, a exemplo dos bairros planejados Northville e Cidade Atlântica, onde serão construídas milhares de moradias para a população.

A duplicação da BR-101 e a pavimentação de estradas, como as que ligam a praia de Ponta de Pedras à Barra de Catuama e a PE-49 à comunidade de Atapuz, são outros impulsionadores de desenvolvimento do município e região.